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CRÍTICA | Shogun e a estratégia do sacrifício pela vitória

‘Shōgun (Xógum: A Gloriosa Saga do Japão)’ é uma série completamente linda que você não quer que acabe nunca.

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Shogun

Quando citamos séries de alto nível, quase sempre – ou sempre -, acabamos pensando em produções muito longe do polo oriental, mas quando somos surpreendidos por ‘Pachinko’ ou até mesmo o filme ‘Parasita’, passamos a olhar mais ainda para este outro lado, e é aí que somos arremessados na parede e descobrimos um leque avassalador de produções grandiosas, e entre tantas grandiosidades, está Shogun.

Aqui somos apresentados a trama que é uma adaptação do romance original best-seller de James Clavell, ambientada no Japão, no ano de 1600, onde o senhor Yoshii Toranaga luta pela vida enquanto seus inimigos do Conselho de Regentes unem suas forças para impedir que Toranaga acorde no dia seguinte, e é essa base que carrega a série. Mas, claramente, não é só essa a trama, obviamente tempos as subtramas, que em muitas produções mundo à fora são feitas para encher linguiça, poucas dão profundidade, mas aqui, vemos muito mais do que uma subtrama, vemos a gloriosa saga que cada personagem tem que percorrer.

Confira o trailer:

Desde o imisso da série, vemos o piloto inglês John Blackthorne, o Anjin, interpretado por Cosmos Jarvis (Peaky Binders, Aniquilação), trazendo segredo que podem ajudar Toranaga a mudar a direção da flecha apontada para seu peito, desnivelar o poder e aniquilar os seus inimigos e a forte influência que eles, padres jesuítas e mercadores portugueses, trazem para o Japão, e é que temos um homem deslocado de seu mundo.

No decorrer de ‘Shogun’, vemos Anjin tentando viver naquele mundo, o que transparecia ao telespectador que ele estava perdido, talvez até sua atuação deve estar ruim, como alguns internautas apontaram, mas aquele era ele, como seria qualquer outro, tentando viver num mundo novo onde ele é totalmente deslocado e apenas tem ajuda de sua tradutora, Toda Mariko.

“SHŌGUN” — Pictured: Cosmo Jarvis as John Blackthorne. CR: Kurt Iswarienko/FX

E por falar em Mariko, pauso rapidamente esse texto para aplaudir sua atuação – e realmente fiz isso. Anna Swain (Pachinko, Monarch) é um espetáculo de atriz e transparece todos os sentimentos, medos e traumas necessários para a sua personagem e arremessando isso em quem assiste a série, afinal, Mariko, além de ser uma das melhores personagens de ‘Shogun’, ela é um poço de sutilezas em sentimentos fortes como uma katana e potentes como um punho cerrado. Mariko passou por muitas coisas ruins em suas vida, e o que nos foi mostrado, ser agredida por seu marido, foi a cena mais pesada de toda uma série que fazia cabeças rolarem em quase todos os episódios.

“SHŌGUN” — Pictured: Anna Sawai as Toda Mariko. CR: Kurt Iswarienko/FX

Mas o lado de Mariko, até a frente dela, está Yoshii Toranaga, interpretado pelo extraordinário Hiroyuki Sanada (John Wick 4, Mortal Kombat), este senhor é toda a mente brilhante nesta série. Além de ser o produtor e o protagonista, Sanada trabalhou fielmente em ‘Shogun’ para que a realidade dos fatos e detalhes não fossem distorcidas. Na história vemos a genialidade e frieza inenarrável de Toranaga que, ao longo da trama, atua de forma estratégica para derrubar seus inimigos.

“SHŌGUN” — Pictured: Hiroyuki Sanada as Yoshii Toranaga. CR: Kurt Iswarienko/FX

É muito raro ver um personagem que é abordado como herói, trabalhar de forma tão estrategista como Toranaga, mas isso não é o que surpreende, mas sim sua frieza imensurável. É como se Yoshii fosse um iceberg com cérebro, e que cérebro, meus amigos. Toranaga usou, talvez na visão de muitos, de maneira erra os seus aliados para fins de vencer a guerra. Nesse Shoji, Toranaga era o Rei e ele provou isso da maneira mais formidável possível. Seu último ato foi sacrificar seu braço direito e com isso colocar a guerra ao seu favor.

No fim da série não temos a guerra como somos acostumados a ver, talvez isso decepcione alguns telespectadores. Mesmo com a chegada cheia de ódio de Ochiva e até mesmo a insaciável vontade de Ishido em matar Toranaga, mas mesmo assim a guerra aqui foi poética.

Se eu pudesse usar palavras
Como flores espalhadas e folhas caindo,
Que fogueira meus poemas fariam.

Toda Mariko

Apesar de uma história rica, detalhada e respeitosamente bem feita, temos uma direção impecável em cada episódio, com roteiros extremamente bem trabalhados e muito lindamente desenvolvidos. Mas deixarei os destaques dessa linda produção para o som de ‘Shogun’ que trabalha os sentimentos de maneira sutil, em certos momentos fazendo você arrepiar, mas ter arrepios de dentro pra fora. A edição é surreal de maravilhosa, os cenários são grandiosos em tantos níveis, que você acaba se sentindo dentro daquele local. A fotografia é um caso a parte. Costumo dizer que uma produção se torna grandiosa quando a fotografia também é grandiosa, e aqui ela rompe as barreiras e alcança a glória e temos uma fotografia absurdamente linda e de brilhar os olhos em cada frama. Mas o que é mais lindo ainda numa série quase inteiramente linda, é o figurino. Os detalhes, as diversas roupas e até mesmo as armaduras são simplesmente impecáveis.

No final, Toranaga narra como será a Batalha de Sekigahara, que na série não vem a acontecer, mas que é incrível de se ler. Ela envolve dois exércitos com um número gigantesco de soldados. O Exército Oriental de Tokugawa (retrato no livro e série como Toranaga) com cerca de 75.000 homens, enquanto o Exército Ocidental de Ishida (retrato no livro e série como Ishido) tinha incríveis 120.000 homens.

A batalha ocorreu em 21 de outubro de 1600, em uma manhã envolta em tanta neblina que nenhum dos lados conseguiu planejar um ataque ou mesmo ver onde o outro exército estava. Quando a névoa se dissipou e a batalha começou para valer, a escala dela foi verdadeiramente épica. Dois enormes exércitos entraram em confronto ao longo das margens dos rios e através das colinas sob a sombra do Monte Nangu. Aqui está uma tela do período Edo representando o confronto:

Sekigahara_Kassen_By_C5_8Dbu-zu__28Gifu_History_Museum_29

A luta feroz da batalha terminou em traição no Monte Nangu, onde o comandante do exército Mōri se recusou a ajudar Ishida em retirada, que foi forçado a se render e mais tarde executado. Em outros lugares, foram feitos cercos a várias fortalezas ao redor do Japão. Tokugawa saiu vitorioso e fundou o primeiro xogunato de Edo.

Com o fim da série, vimos que Toranaga não queria derramar mais sangue, ele sacrificou os seus melhores por isso, ele ganhou a guerra de dentro para fora, sem que o inimigo percebesse. Ishido perdeu a guerra sem nem ter colado a sua armadura porque estava cego de ódio e pelo poder. Ele perdeu a guerra no começo da série, mas só tivemos a confirmação no final.

Por fim, Shogun é uma série sem hype nenhum e sem uma legião de fãs, e isso não é algo negativo, afinal, não precisou de hype para se tornar a melhor série do ano e uma das melhores já feitas. Shogun é um espetáculo do começo ao fim, e mesmo com um final que pode gerar narizes tortos por não mostrar algo épico como esperam e sim algo mais poético, ela continua gloriosa.

Avaliação: 5 de 5.

‘Shōgun (Xógum: A Gloriosa Saga do Japão)’ está inteiramente disponível no Star+ e Disney+.

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